Novas posturas para as velhas relações com os filhos e Escola.

fevereiro 15, 2019

Autora: Thereza Bordoni

Nossa sociedade mudou, temos uma inversão de papeis e valores, mais informação do que podemos absorver, a mulher trabalha fora, o avanço tecnológico foi grande, a família mudou, a criança mudou, o aluno e a escola também mudaram… Tanta mudança gera confusão e expectativas.

Buscando proteger os filhos das mudanças, os pais estão oferecendo proteção excessiva, ao invés de desenvolver as capacidades dos filhos para que eles vençam na sociedade. A família está perdida e acaba achando que a escola é que tem que educar seus filhos. A família é responsável pela educação e a escola, pela formação de habilidades para competências na vida adulta.

Neste contexto, o melhor que podemos fazer por nossos filhos é sermos consistentes na sua formação desde bem pequenos, a frustração, o “não” dito com firmeza, as tarefas diárias, o dinheiro regulado, o tempo bem distribuído, entre outros limites, favorecem a conscientização cidadã. Mas, nada disto terá qualquer significado se não for mediado pelo exemplo dos adultos; nossos filhos são frutos do meio, porém é na relação familiar que os verdadeiros valores se formam e se consolidam. De nada adianta os pais darem limites, como assistir à tevê só em determinadas horas, proibir certos tipos de música, cobrar respeito ao próximo, exigir que não falem palavrão, se eles burlam as leis e os valores morais e adotam a postura: “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”.

Suas atitudes valem mais que mil palavras. Busque ações simples e concretas que possam ajudar seu filho a assumir responsabilidades de forma coesa e correta, como por exemplo: peça a seu filho, principalmente aos menores, para que o ajude com os afazeres (guardar os brinquedos, limpar a mesa ou guardar a roupa limpa), comente com eles os programas e musicas atuais, coloque-o a par da realidade financeira da família. A criança que aprende ter responsabilidades desde pequena, sai melhor na escola e na vida!

Lembre-se: “a palavra convence, o exemplo arrasta”. Seja um modelo a ser seguido, que lê, acha a aprendizagem emocionante, gosta de resolver problemas, tentar coisas novas e que respeita a si mesmo, o outro e as regras da sociedade.

Na relação com a escola, esteja seguro da escolha que fez e dê espaço para a escola trabalhar. Demonstre respeito tanto pelo sistema escolar quanto pelo professor. As acusações verbais contra a escola podem engendrar em seu filho sentimentos contrários à escola e dar a ele um pretexto para não se esforçar. Mesmo quando não estiver de acordo com uma política da escola, é seu papel estimulá-lo a obedecer às regras da escola, assim como precisará obedecer às regras mais amplas da sociedade. Caso esteja descontente com a escola, procure o responsável e converse com ele.

Como pais, não questionamos o pediatra, o dentista, no máximo sugerimos, mas na escola nos achamos no direito de dar palpites de determinar ações, de corrigir a metodologia ou a proposta educacional. Será que nós, pais, somos os especialistas nesta área?

Quando a criança entra na escola, ela começa a aprender a enfrentar a vida por conta própria. E, se os pais insistem em intervir nesse processo, só um sai perdendo: a criança ou o adolescente. Quase todos os pais têm a “mania” de perguntar aos filhos como foi o dia na escola. Isto é positivo, ajuda-o a sentir que a escola é importante para a família, porém, quando isto se torno uma cobrança, onde o filho é obrigado a falar sobre a escola, se transforma em um desrespeito. É preciso que os pais entendam que a escola é o primeiro lugar onde os seus filhos têm controle sobre uma situação que eles (pais) não têm. É o primeiro sentimento de privacidade! E é preciso que os pais respeitem isto. A criança não querer comentar sobre a escola, não significa que não goste da escola.

Na escola, seu filho deverá compreender que os deveres de casa, os trabalhos escolares e as notas são questões estritamente entre ele e seus professores, que deverão estabelecer as metas para atingir um melhor aproveitamento escolar. Seu filho deve sentir-se responsável pelo êxito e pelos fracassos na escola. Muitas vezes por ansiedade ou por necessidade de controle, invadimos o espaço escolar, a intenção sempre é a melhor, porém corremos o risco de passar a mensagem errada, assumindo a responsabilidade de estudar no lugar de nossos filhos. Os pais que se sentem responsáveis pelo aproveitamento escolar de seus filhos abrem a porta para que seu filho passe a responsabilidade disto para eles, os pais. Isto é muito comum na hora do “Para Casa”, a cena é: pais cobrando e filhos enrolando. Não se torne o responsável pelo dever de casa. Dê autonomia para seu filho e também demonstre que confia em sua capacidade. Já pensou ao invés de cobrar o dever de casa, perguntar a que horas ele irá fazer e se irá precisar de algo específico para as atividades? Isto é ser parceiro no processo e não o dono do processo.

Assumir a responsabilidade pelos deveres de casa ajuda as crianças a crescerem e se tornarem adultos responsáveis que cumprem suas promessas, respeitam seus limites e triunfam em suas tarefas. Um dos principais objetivos do dever de casa é ensinar a seu filho como trabalhar por conta própria. Por outro lado, não se esqueça: é muito importante que ele perceba sua atenção aos deveres de casa e também às atividades diárias da escola. Só não se esqueça de respeitar os diversos ritmos de aprendizagem, cada um tem o seu ritmo e o seu tempo, não dá pra ficar comparando, mesmo que o seu filho e o filho do vizinho tenham a mesma idade e estudem na mesma escola.

Tudo que aqui foi dito, precisa ter como pano de fundo uma escolha consciente pela escola para seus filhos. Hoje existem inúmeras propostas e metodologias, cabe à cada família buscar aquela que melhor complementará a formação que deseja para seus filhos.

BORDONI, Thereza. Novas posturas para as velhas relações com os filhos e Escola. Site de Dicas, mar, 2018. Disponível em < https://www.sitededicas.com.br/art_posturas.htm#link1/>. Acesso em 5 fev. 2019.

 

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

SAYÃO, Rosely. Filhos… melhor não tê-los? In: CAFÉ FILOSÓFICO CPFL, 14/11/2010. São Paulo: CPFLCULTURA, 2010. Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=8hQvDOyGmlg >. Acesso em 5 fev. 2019.

SAYÃO, R. Rosely Sayão: os pais andam obedientes demais. São Paulo: Revista Veja, 28 jul 2017. Entrevista a Daniel Bergamasco e Fabiana Futema. Disponível em: <https://veja.abril.com.br/educacao/rosely-sayao-os-pais-andam-obedientes-demais/>. Acesso em 5 fev. 2019.

ZAGURY, Tânia. Os pais também precisam de limites? São Paulo: Revista Veja, jun 2011. Entrevista a Ana Paula Pontes. Disponível em <http://www.taniazagury.com.br/entrevistas/>. Acesso em 5 fev. 2019.

ZAGURY, Tânia. Superproteção prejudica os filhos. Santos. A Tribuna, 18 jul 2011. Entrevista a Ana Paula Pontes. Disponível em <http://www.taniazagury.com.br/entrevistas/>. Acesso em 5 fev. 2019.

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