OLHO DE PRATA 2019

  • A ESCOLA COMO UM ECOSSISTEMA DE APRENDIZAGEM

    1. Apresentação

    No início de 2018, quando decidimos reestruturar nosso querido Olho de Prata, ficamos todos receosos e vacilantes. Afinal, embora concordássemos que o projeto se tornaria mais atraente e proveitoso se eliminássemos as divisões entre as classes – convidando todos os alunos, de todas as idades, a trabalharem juntos –, e que poderíamos, através dele, aproximar ainda mais os conteúdos tratados pelas diferentes disciplinas, concordávamos também que mudar é, quase sempre, difícil, e mais difícil ainda é mudar algo já enraizado, que se mostrou certeiro e que produziu bons frutos por oito longos anos.

    Mas, ainda que fosse difícil, mudar era, neste caso, necessário. E foi isso que motivou cada tarde de segunda-feira sob sol forte, cada enxadada que abriu a terra para o cultivo, cada gota de suor derramada para medir, cortar e lixar os canos que, agora, dão forma às cisternas, e cada tentativa de fazer com que a composteira funcionasse. Pouco a pouco, nosso tão sonhado ecossistema de aprendizagem foi ganhando forma, provando a todos que o aprendizado não acontece só na sala de aula e que basta coragem – neste caso, bastante coragem – para vencer os nossos medos e, enfim, mudar. Para além do aprendizado técnico, ele deu aos nossos alunos a possibilidade de se tornarem mais autônomos, cooperativos e responsáveis – e eles se tornaram. Como se não bastasse, toda essa nossa experiência ainda ficou registrada em um belíssimo documentário, daqueles de fazer chorar e de querer mostrar para os netos com orgulho.

    É por essas razões que agora, em 2019, queremos expandir o nosso projeto e torna-lo mais inovador. Para isso, retomaremos a construção da composteira, o cultivo da horta e o trabalho com as cisternas, sempre atentos a nossa experiência passada para continuar com o que acertamos e corrigir o que erramos. Mas, para que de fato possamos expandir, queremos romper os limites da escola e levar o que aprendemos a outras pessoas e lugares, pois entendemos que o conhecimento está aí para ser compartilhado, principalmente quando ele pode fazer a diferença no lugar em que vivemos e na vida das pessoas ao nosso redor. Por isso, nos dedicaremos também à construção de uma horta vertical junto aos idosos do Lar São Francisco de Assis e de uma cisterna em uma escola pública da cidade de Araraquara.

    E não vamos parar por aí. Em nossa escola, inovaremos assumindo dois grandes desafios: construiremos uma cúpula geodésica e um sistema de hidroponia, que tornarão nosso espaço ainda mais cativante e útil para o aprendizado e para uma convivência saudável entre todos. Este tem tudo para ser um ano estimulante, de grandes voos e novas conquistas. Por isso, caminhemos juntos e sempre adiante!

     

    2. Objetivos do projeto

    Em 2018, os objetivos gerais que nortearam nosso trabalho foram:

    1. Criar, entre todos os alunos, professores e demais funcionários da escola, um sentimento de pertencimento e uma consciência coletiva;
    2. Criar laços entre alunos de diferentes salas de aula e até de diferentes segmentos, já que cada um contribuirá com o projeto de uma forma;
    3. Estimular hábitos alimentares mais saudáveis a partir do consumo de verduras e legumes frescos e orgânicos;
    4. Exercitar a cooperação, o engajamento e a responsabilidade;
    5. Fomentar nos alunos um anseio pelo respeito à natureza e por sua preservação;
    6. Fortalecer o diálogo entre as diferentes disciplinas;
    7. Permitir que os alunos apreendam os conteúdos de uma forma mais prática e ativa;
    8. Tornar o Pueri Domus uma escola mais sustentável e consciente de seu impacto no mundo.

    E agora, em 2019, para além de todos estes objetivos, que serão mantidos, o projeto assumirá também outra grande responsabilidade:

    1. Transpor os muros da escola para levar a outras pessoas, de outros lugares e de diferentes realidades, tudo o que aprendemos, contribuindo para a melhoria de sua qualidade de vida e também para fortificar ainda mais a questão da preservação do meio ambiente.

     

    3. Regras de participação

    Assim como no último ano, as atividades do Olho de Prata ocorrerão no período da tarde, e serão divididas em duas fases: a primeira delas está programada para acontecer neste primeiro semestre – ou seja, de Março a Junho –, enquanto a segunda ocorrerá no período posterior às férias, estendendo-se de Agosto a Novembro.

    Contudo, diferentemente de 2018, os alunos poderão escolher apenas em quais eixos trabalharão, mas não em qual fase. Tomamos esta decisão por acreditarmos que, assim, o projeto ficará mais organizado; além disso, não podemos nos esquecer de que o Ensino Fundamental II possui hoje mais alunos do que no ano passado, o que nos desafia e nos força a dar ainda mais atenção a esta questão, pois o risco de desorganização será maior.

    Portanto, participarão da primeira fase apenas os alunos do 7º e do 9º ano, e da segunda, os do 6º e 8º. A participação, como todos sabem, é obrigatória, e para se inscrever cada educando deverá preencher o formulário que acompanha este edital.

    A nota de cada aluno será uma média entre a nota que ele receberá ao longo do projeto – o que levará em conta a sua participação e o seu engajamento dia após dia – e a nota de sua apresentação. Se ele trabalhar na primeira fase, esta nota será parte da nota B de todas as disciplinas no segundo trimestre; e o mesmo ocorrerá a aqueles que participarem da segunda fase, mas apenas no terceiro trimestre.

     

    4. Eixos de trabalho

    Conforme já destacado, o projeto de nosso ecossistema de aprendizagem será norteado, em um primeiro momento, pela expansão das atividades desenvolvidas no último ano, que consistiram na construção de uma composteira, na qual depositamos parte dos resíduos orgânicos gerados diariamente por nossa escola, para que as minhocas e os micro-organismos transformem estes restos de comida em adubo; no cultivo de uma horta, na qual plantamos verduras, legumes e também alguns temperos; e na instalação de algumas cisternas, que servem para captar e armazenar as águas das chuvas, e que são imprescindíveis sobretudo nos períodos de estiagem.

    Contudo, para além da expansão destas atividades, desejamos também inovar, e por isso trabalharemos na construção de uma cúpula geodésica – que poderá servir como estufa ou como espaço lúdico, por exemplo – e de um sistema de hidroponia, que nos permitirá cultivar plantas sem o solo, apenas fazendo com que as raízes recebam uma solução nutritiva balanceada que contenha água e todos os nutrientes essenciais ao desenvolvimento da planta.

     

    4.1. Primeira fase: Expansão

    Os alunos que participarem da primeira fase, que abarcará os meses de Março, Abril, Maio e Junho, serão responsáveis pela expansão das atividades realizadas em 2018, podendo optar pelos seguintes eixos:

    1. Retomada do cultivo da horta e do trabalho na composteira. Para isso, os interessados deverão estar dispostos, por exemplo, a trabalhar com a terra e com as hortaliças e a recolher os restos de comida que serão transformados em adubo.

    Além disso, neste eixo, os alunos serão convidados a se dedicarem à construção de uma horta vertical junto aos idosos do Lar São Francisco de Assis, o que requer muita seriedade e cuidado de cada um dos participantes.

    1. Retomada do trabalho com as cisternas, para as quais será preciso encontrar uma forma de tratar a água que armazenam.

    Feito isso, os participantes deste eixo serão convidados a construir uma cisterna em uma escola pública da cidade de Araraquara, onde deverão compartilhar suas experiências e ensinar aos alunos desta escola o que aprenderam.

     

    4.2. Segunda fase: Inovação

    Já aqueles que se dedicarão à segunda fase do projeto, que ocorrerá nos meses de Agosto, Setembro, Outubro e Novembro, ficarão responsáveis pela inovação, ou seja, pela edificação de novas estruturas que tornarão nosso ecossistema de aprendizagem ainda mais completo e atraente. Para isso, eles deverão escolher entre os seguintes eixos:

    1. Construção de uma cúpula geodésica que, como já foi dito, poderá abrigar uma estufa, um espaço lúdico ou qualquer outro ambiente que nos pareça útil. Os interessados em trabalhar nesta construção deverão estar dispostos a cortar bambus e a fazerem fortes amarrações, entre outras coisas.

     

    1. Construção de um sistema de hidroponia, através do qual as plantas receberão água e nutrientes sem que as suas raízes estejam em contato com o solo.

     

    4.3. Comunicação e audiovisual: arte e informação nas vivências do meio

    Para além das equipes que trabalharão nas duas fases do projeto, um outro grupo, bem menor, ficará responsável por registrar, através da linguagem audiovisual, a experiência e a aprendizagem dos alunos e dos educadores. Depois de produzir, em 2018, um didático documentário que recontou a história de nosso Olho de Prata e suas transformações ao longo do tempo, buscaremos, agora, inovar em nossa forma de registro, e por isso produziremos um vídeoarte que será desenvolvido e, possivelmente, apresentado junto à Expoart, em uma espécie de instalação, já que esta linguagem audiovisual é mais poética e subjetiva, e possibilita que os alunos trabalhem outras habilidades criativas, tais como dança, fotografia, pintura e poesia.

    Além disso, os alunos que optarem por este eixo ficarão responsáveis também por alimentar o perfil de nosso projeto no Instagram, onde farão um registro contínuo do desenvolvimento das atividades para que todos aqueles que tiverem acesso a ele possam acompanhar nosso trabalho.

    Porém, cabe destacar que, diferentemente de 2018, os alunos permanecerão neste eixo apenas enquanto as suas turmas também estiverem trabalhando. Logo, aqueles que pertencem ao 7º e 9º anos atuarão no registro da primeira fase, enquanto os do 6º e 8º acompanharão o andamento da segunda.

     

    5. Informações gerais

    Aproveitamos a oportunidade para informar que o projeto tem início já na tarde do dia 18 (dezoito) de Março, e pedimos aos pais e responsáveis que providenciem boné ou chapéu, uma garrafa de água e protetor solar.

     

    6. Conclusão

    Além de tudo o que já explicitamos, é importante destacar também que as mudanças no Olho de Prata, além de torná-lo mais atrativo e de alargar o seu impacto sobre os processos de ensino-aprendizagem adotados por nossa escola, têm dado aos alunos do Ensino Fundamental II a possiblidade de contribuir com a educação dos mais novos, que pertencem a outros segmentos. Afinal, depois de apreendidos todos os processos – da composteira, da horta, das cisternas, da cúpula geodésica e do sistema de hidroponia –, bem como as melhores formas de se utilizar o que foi produzido e o respeito às diferentes culturas, os alunos podem facilmente explicar às crianças do Ensino Infantil e do Fundamental I o que aprenderam, etapa por etapa, e qual a importância de respeitarmos o meio natural, de compreendermos o meio social e de nos enxergarmos como seres atuantes e cooperativos. Assim, um contribui para o crescimento do outro, e consequentemente, para a conquista de sua autonomia.

    E foi pensando exatamente nisso que decidimos expandir o projeto para além dos muros da escola, afinal, se nossos alunos podem contribuir uns com os outros, também podem impactar diretamente e de forma positiva a vida dos idosos do Lar São Francisco de Assis e dos alunos da escola pública, que possuem realidades tão diferentes.