Arquivo para agosto, 2012

“Ainda que eu falasse
A língua dos homens
 E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.”

língua estrangeira

No mundo existem mais de 6.912 idiomas, sendo que ainda estima-se que 300 -400 línguas ainda não foram catalogadas. No Brasil, embora haja a equivocada ideia de que só se fala em português, há aproximadamente 188 línguas faladas aqui, além do português, claro. Sim! 188 línguas catalogadas, em sua maioria são línguas indígenas ou faladas pelos imigrantes que aqui moram.

Mais de 250 milhões de pessoas sonham, pensam, falam em português e elas estão espalhadas pelo mundo. O que significa a nossa língua, ou qualquer outra língua? Ter um idioma é mais do que conseguir se comunicar é fazer parte de uma comunidade, é possuir uma identidade, entender uma cultura.

Para quê aprender uma língua diferente de nossa língua materna? Qual o motivo de aprender uma língua estrangeira? Como escolher uma língua para estudá-la? Esses questionamentos são muito importantes para o desenvolvimento profissional e pessoal de quem quer aprender uma língua diferente de sua língua materna.

Quando aprendemos ou ensinamos uma língua estrangeira não devemos nos limitar ao caráter funcional que ela tem, não devemos simplesmente traduzir aquilo que queremos dizer, pois de nada adianta dizer em sete línguas, por exemplo, a mesma coisa! Aprender uma língua requer o esforço de assimilar a cultura, a literatura, a identidade do(s) local(is) em que ela é falada. Para assim, podermos ampliar nosso mundo e, sobretudo, nossa visão sobre ele, só assim é possível se comunicar de fato com as pessoas e estabelecer diálogos.

Existem 6.912 idiomas em todo o mundo, alias… mais do que isso. Qual o motivo de pensarmos tanto em aprender somente uma língua estrangeira, ou duas? E por que a economia e o mercado de trabalho influenciam tanto na escolha do que devemos ou não aprender? Por que não ensinar o grego clássico para nossos filhos? Por que a maioria dos brasileiros não conhece sequer uma língua indígena falada em seu próprio país? Podemos falar a língua dos homens e dos anjos, mas se não tivermos a consciência de que uma língua é mais do que o seu caráter utilitário mostra o que ela é, do que adiantará isso? Se não tivermos consciência de que a língua é uma forma de ver o mundo e não tivermos amor, somente interesse nela, nada, absolutamente nada, seremos. É preciso aprender primeiro a sonhar em uma língua, a pensar nela e com ela e só depois é que devemos aprender a falar.

Rubia Alves

Convido vocês a caminharem por Araraquara e, ao mesmo tempo, olhar uns antigos cartões-postais com imagens que mostram como essa cidade havia sido: a praça idêntica a que é hoje, mas com uma galinha no lugar do ponto de ônibus, um singelo jardim no lugar do viaduto, duas mulheres com sombrinhas no lugar da fábrica de suco de laranja, um punhado de terra no lugar do parque, uma cruz no lugar da igreja.

Ao olharem as duas cidades, a dos cartões-postais e a atual, que embora completamente distintas possuem o mesmo nome e estão, não por acaso, no mesmo lugar que antes, mas separadas no tempo, vocês certamente irão louvar a beleza da cidade dos cartões-postais, mas também irão preferir a cidade como ela esta agora. Muitas coisas mudaram nessa cidade, e o pesar em relação a essas mudanças deve ser contido. É preciso reconhecer que há certa graciosidade e singeleza na cidade antiga que foram perdidas, e que só podem ser admiradas através dos cartões-postais.

Todavia é preciso reconhecer que a beleza radiosa da Araraquara atual, bem com sua prosperidade não teria absolutamente nada de interessante se tivesse permanecido igual ao que era antes. Araraquara possui esse encanto adicional: diante do que ela se tornou é possível recordar com saudades daquilo que ela foi.

Dia 22 de agosto de 2012, Araraquara completa 94 anos. Os olhares que fotografaram a Araraquara dos cartões-postais juntam-se aos olhares daqueles que fotografam Araraquara em suas câmaras digitais e postam em suas redes digitais e, futuramente somaram-se aos olhares de outras pessoas, que nem sequer conseguimos imaginar a maneira que irão fotografar essa cidade.

Parabéns, Morada das Araras, Morada da Luz do Dia, Morada do Sol, Araraquara: pelo o que você foi, pelo o que é e pelo o que pode vir a ser.

Rubia Alves

Televisão Aperta os olhos como quem aperta o controle remoto que tem as pilhas já gastas e quer a qualquer custo mudar de canal. Achava aquele programa de televisão idiota, mas qual a imagem que era e ao mesmo tempo não era a imagem que a prendia?

Quantas vezes já não nos questionamos o porquê de ficarmos tanto tempo em frente à TV, vendo coisas que julgamos de péssima qualidade? E quantas vezes sequer nos perguntamos qualquer coisa? Ficamos imóveis, entretidos em nossos pensamentos e não fazemos a mínima questão de pensar sobre aquela avalanche de imagens que passam diante de nossos olhos.

Por muito tempo a televisão foi considerada artigo de luxo, contudo, atualmente, a TV já é bastante popularizada e em praticamente todas as casas ela está presente. Mas o que a TV significa? Vocês já pararam para se perguntar sobre o que é transmitido na televisão? Qual a influência dos programas de televisão em nossas vidas? Será que as novelas, por exemplo, são somente para entreter e é um momento para descansar? Será que a moda, o comportamento e certos vícios não nos influenciam a ponto de esquecermos o que é essencial?

A facilidade ao acesso à informação bem como a variedade de canais que podemos ter é muito grande, porém temos que ser como caçadores em uma selva digital. Buscar aquilo que for melhor para a nossa formação e, sempre, sempre, sempre, questionar aquilo que estão nos mostrando. Não há problema algum em assistir TV para descansar ou para comentar sobre os acontecimentos que a TV passou, mas como estudantes, não podemos nos limitar a isso. É preciso ir mais além, questionar aquilo que vemos, buscar outras fontes de informação, não acreditar piamente no que nos dizem. Se quisermos ser cidadãos competentes e críticos temos que avaliar o que assistimos e quem sabe, mudar de canal.

Rubia Alves


Boma atômica
Em menos de um segundo uma bomba destruiu Hiroshima, mas quanto tempo levaria para nascer uma flor novamente?

A rosa de Hiroshima – Vinicius de Moraes

 

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada

Através das palavras, Vinicius de Moraes revela um olhar sensível sobre o traumático acontecimento no sul do Japão, que hoje, dia 06 de agosto de 2012, faz 67 anos que aconteceu. O apelo que o poeta faz para que pensemos nas pessoas que sofreram com a radioatividade da bomba atômica, lançada em Hiroshima em 1945, e que lembremos, sempre, da desolação e dos ferimentos que as guerras causam – ferimentos não somente físico, mas, sobretudo psicológico -, nos faz refletir sobre aquilo que jamais será esquecido pela história. A memória das mais de oitenta mil pessoas que morreram após o lançamento da bomba e das várias gerações que sofreram com os efeitos da radioatividade é preservada, entre tantas outras manifestações artísticas, no poema intitulado “Rosa de Hiroshima”.

O século XX foi prova de que a racionalidade e o progresso científico em disjunção com o afeto e a sensibilidade têm um poder altamente destrutivo. É preciso lembrar das mulheres, dos homens, das crianças que sofreram com as doenças genéticas, com a má formação dos fetos, com o comprometimento do sistema nervoso e hormonal e, assim, nos sintamos afetados com o que aconteceu no passado, para tentarmos evitar que novos conflitos dessa dimensão aconteçam.

Se uma bomba é capaz de destruir sonhos, sorrisos e a vida de milhares de pessoas, a arte é capaz de reconstruir os sentimentos que parecem estar perdidos. Se a beleza de milhares de flores – mulheres e crianças – foi transformada pelo impacto da guerra em uma imensa nuvem de pó, Vinicius de Moraes transforma essa nuvem novamente em flor, uma flor que nasce dentro de cada leitor, dentro de cada ser humano que se conscientiza da responsabilidade que têm pela vida das pessoas que dividem o mesmo espaço, os mesmos sentimentos de pureza e fragilidade.

 

Rubia Alves

O Piracema, ganhador de melhor selo estrangeiro em 2006

Já pensou esperar por muitos dias ou até meses notícias de alguém querido através de uma carta e caso você não tivesse dinheiro para recebê-la, a correspondência tão esperada fosse devolvida? Pois é, isso já aconteceu muitas vezes aqui no Brasil no início do século XIX!

Com a escolarização da população, tornou-se possível comunicar-se com pessoas que moravam distantes através de papéis com escritas que contassem notícias suas ou de outras pessoas, ou seja, o ato de comunicar-se fez necessário já que as pessoas sabiam escrever. Porém, ninguém queria pagar a despesa das entregas das correspondências!Na época, contam que alguns remetentes chegavam até a escrever o assunto nos envelopes para facilitar a leitura de seu destinatário que, por sua vez, alegava a carta não lhe interessar mais, já que conseguia ver o tema sem precisar abri-la. Pobres entregadores, não? Eles ainda carregavam peso demais já que a maioria das cartas eram devolvidas.

Para solucionar este problema, os correios criaram um tipo de recibo à carta que era pago antecipadamente. A ideia funcionou bem e foi aprimorada em 1843 com a criação dos selos, tendo assimilação em território nacional e logo depois no exterior também. Com isso, o Brasil foi o segundo país a emitir selos no mundo, depois da Inglaterra.

O primeiro modelo de selo criado foi o Olho-de-Boi e logo em seguida o Inclinado, o Olho-de-Cabra e o Olho-de-Gato. Rapidamente associou-se cultura e arte aos selos, pois neles eram difundidos nossos valores, espécies de fauna e flora; tipos de profissões; espaços geográficos; campanhas sociais, artísticas e culturais; homenageiam artistas e pessoas respeitáveis, retratam sobre a história do país, etc. Um pouco das veias brasileiras estavam ali no cantinho dos envelopes tão aguardados. E tão mais rápido surgiram os filatélicos, ou seja, colecionadores de selos, admiradores de arte e cultura do mundo todo!

Os selos retratam um pouco de nosso país e se tornaram tão atraentes que foram criados álbuns específicos para o armazenamento e conservação dos mesmos, sendo que o arsenal brasileiro pode ser encontrado nas agências dos correios.

Hoje em dia, eles estão mais nos bastidores e fora de cena, assim como as cartas em si, que abriram espaço ao e-mail e às comunicações instantâneas pela internet, como Facebook, Twitter e MSN. O mundo visa rapidez e interação de ideias, e foi aí que a carta perdeu seu lugar. Porém, é interessante que os mais jovens aprendam sobre o uso da carta que ainda se faz hoje, mas em menor prática e que as correspondências constituíram parte da história real e também das histórias ficcionais contadas em livros, as quais tiveram forte presença entre os enredos, como em Romeu e Julieta de Shakespeare, Cartas de um Sedutor de Hilda Hilst, Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco e O Primo Basílio de Eça de Queirós. Em todas estas obras foram fundamentais pelo desenlace de suas intrigantes histórias.

Os selos são marcas interessantes aos jovens de hoje e garantem uma lembrança um tanto nostálgica àqueles que os vivenciaram!

Caroline Rizzoli

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